domingo, 23 de agosto de 2009

Capítulo 4

-Por que você não aceitou meu convite para almoçar Beatriz?
Tentando me recuperar do susto, perguntei:
-Como você sabe meu nome?
De novo aquele sorriso no canto da boca:
- Está escrito no seu crachá.
"Meu Deus, como sou tansa", pensei. A minha amiga Fabi disfarçou a risada e eu fiquei vermelha, parecia um pimentão.
- Bem, pensei que o convite era para o nosso presidente.
- Sim, o presidente do grupo também ganhou um convite, mas quem apareceu por lá com ele foi um outro aeromodelista.
Então me toquei que o meu irmão não estava com a gente.
"Safado! Comeu do bom e do melhor enquanto eu e minha amiga, junto com os outros, comemos aquele feijão aguado do refeitório. Por isso que ele falou que o camarão estava bom e eu não havia visto nenhum camarão por lá”.
- É, acho que me equivoquei. Desculpe-me, mas de qualquer forma, não teria como, pois eu e minha amiga não nos separamos por nada. Mas agradeço seu convite.
Então, com o rosto mais próximo do meu, olhando fixamente em meus olhos, falou:
- Posso repetir o convite para um jantar? Hoje mesmo? E agora, sem equívocos.
Olhei para a Fabi, o seu olhar estava arregalado, nem ela acreditava no que ouvia. Eu não sabia o que dizer. Fiquei visivelmente sem graça, vermelha como pimenta.
- Bem... Eu não sei, acho que hoje já tenho compromisso. Mas quem sabe um outro dia.
Mas por dentro, pensava comigo: "Ai, era só o que eu queria. Como queria Meu Deus!"
Então escutei a voz do meu querido irmão chamando:
- Bia! Vamos, está na hora de ir embora. Vem ajudar a levar as coisas, anda guria!
Olhei para o deus grego e mal consegui falar:
- Quem sabe outro dia a gente se encontra, agora tenho que ir. Como é seu nome?
Ele simplesmente mostrou o bordado do seu uniforme: Tenente Aviador Douglas.
- Bem, então, tchau Douglas. Até outro dia.
- Tchau "Bia". Até logo mais.
Eu e minha amiga fomos caminhando, eu não acreditava naquilo. "Até logo mais?" Olhei para trás e lá estava ele, parado, com os braços cruzados, apenas observando. Pedi para a Fabi:
- Me belisca amiga, será que não estou sonhando? Ele me convidou mesmo para um jantar?
- Convidou sim D. Bia, pode acreditar. Que sorte a sua, amiga. O deus grego agora tem nome: Douglas.
- Impossível... Ele não tem meu telefone. Nem deu tempo de conversar!
E demos muitas risadas.

Capítulo 5

Chegamos em casa e meu irmão, como sempre, se enfiou no banheiro primeiro. Comecei a contar sobre os acontecimentos do dia para minha mãe, não escondi nem um detalhe. Contei tudo sobre o deus grego que tinha um nome, Douglas.

Logo veio o conselho de mãe:
- Cuidado, esses homens mais velhos são os mais perigosos. Você não deu o telefone né minha filha?
- Mas ele não é velho não mãe, deve ter uns 27 ou 28 anos, no máximo. Não mãe, claro que não dei o telefone, nem pensar, mas até que eu queria viu.
- É mesmo? E era realmente bonito?
- Se era. Só que é muita areia pra meu caminhãozinho.

O ruído da porta anunciava que meu irmão estava saindo do banho, então peguei minhas roupas e toalha e fui para o chuveiro.
Que banho bom... Me enchi de espuma, parecia difícil tirar aquele cheiro de combustível de avião, levei quase uma hora embaixo daquele chuveiro. Dá-lhe sabonete "Lux."

Ao sair do banho minha mãe vem correndo:
- Bia, você falou que não deu o telefone, mas o tal de Douglas acabou de ligar e queria falar com você. Inclusive falou seu nome completo.
- Como assim, nome completo? No meu crachá só tinha Beatriz e eu nem dei o telefone! Juro mãe, não dei telefone mesmo. Como ele falou?
- Eu atendi, ele perguntou por Beatriz Cristina, então falei que você estava no banho e que ele ligasse mais tarde. Nossa, que voz bonita mesmo minha filha. Que educação, bem simpático, mas cuidado, esses tipos são os piores. Veja bem aonde você vai se meter.

Fiquei pensando: Como ele sabia meu nº de telefone? Como conseguiu? Não demorou muito e o telefone tocou novamente. Senti um frio na espinha. E agora? Atenderia ou não? Lá veio minha mãe fazendo sinal, logo percebi que era o deus grego, o tal de Douglas.
Fui atender:
- Alô.
- Boa noite, é a Bia?
- Sim, sou eu. Quem é?
Fiz-me de boba, é claro que eu sabia de quem se tratava. E que voz!!! Meu Deus, era de tirar o fôlego.
- Sou eu, o Douglas, lembra?
Deu para sentir o riso na voz.
- Claro, como vai? Que surpresa, mas como você conseguiu meu telefone?
Eu tremia igual vara verde. Não conseguia acreditar naquilo.
- Procurei na ficha de inscrição do Clube de Aeromodelismo. Tinha até uma foto sua. Pena que não foi possível conversarmos melhor hoje, o dia foi muito corrido. Então, está de pé nosso jantar hoje?

Minha vontade era de dizer: Sim, sim, sim... Mas a voz de minha mãe ecoava na mente: "Cuidado, esses são os mais perigosos." Logo a emoção deu lugar à razão.
- Bem, é que estou muito cansada. Como você disse, o dia foi muito corrido. Quem sabe outro dia, você liga e combinamos algo.
Houve um breve silêncio e deu para sentir em sua voz certo desapontamento.
- Compreendo, o dia de hoje foi muito movimentado. Vou te ligar outro dia, então combinamos um jantar ou um cinema.

Eu queria me dar tapas na cara àquela hora, de tanta raiva que sentia de mim mesma, afinal o que mais queria era dizer “vamos jantar sim, pode passar aqui, vou voando!”. Mas o conselho de minha mãe falou mais alto. Então, o jeito foi me despedir:
- Isso, vamos marcar um cinema qualquer hora. Mas fiquei feliz com seu telefonema.

Despedimos-nos e desliguei. Fiquei ali, ao lado do telefone, parada, tentando acordar, parecia que estava nas nuvens ou sonhando. Logo tratei de ligar para a Fabi:
- Amiga, nem te conto! Adivinha quem ligou? Estou nas nuvens Fabi, nas nuvens!
Sorrindo, a Fabi já falou:
- O deus grego? Eu sabia... Aquele olhar de hoje a tarde deu para ver tudo, o cara ficou caidinho também. É amiga, você está poderosa!... rsrs....
Ficamos conversando e dando risadas, tentando decifrar as intenções do deus grego.

Capítulo 6

Fui dormir, mas rolava na cama e ficava pensando: "Se ele ligar novamente, como vou aceitar o convite? Eu não tenho roupa de mulher poderosa, só uso tênis, agasalho, jeans, malha. Nem saia eu tenho. Como vou fazer?"
Até que o sono venceu e dormi como um anjo.
No dia seguinte, ao acordar, fiquei tentando lembrar se foi sonho ou realidade. Arrumei-me correndo, peguei o ônibus e fui para a Universidade. Nem sei o que o professor falou, nem conseguia prestar atenção na aula, só pensando... pensando... e sonhando.
Aos 20 anos de idade minha cabeça parecia de 15, uma verdadeira adolescente. Mas lá no fundo a voz de minha mãe ecoava: "Cuidado, esses são os piores." Isso me incomodava, pois sempre acreditei naquele ditado popular: Coração de mãe não se engana.
Passei o dia na Universidade, tinha aulas de manhã e a tarde. Retornei para casa no início da noite e minha mãe logo veio com recados e sorrisos:
- Olha, esse tal de Douglas ligou de novo. Acho que vai pegar no seu pé. Se você não quer nada com o moço, é melhor falar logo, mas se você gostou minha filha, ir ao cinema não faz mal algum, você já tem bastante juízo na cabeça e sabe do que estou falando.
- Claro mãe. Posso ir mesmo no cinema? A mãe deixa?
- Sim, mas depois do cinema, direto pra casa. Nada de esticar. Juízo minha filha, juízo.
Fiquei perto do telefone a noite inteira, cada vez que tocava corria atender. Mas nada, ele não ligou e fiquei muito triste, afinal, um homem lindo daquele devia ter muita mulher bonita dando em cima. Ele não iria perder tempo comigo. Fui dormir completamente decepcionada e a noite foi péssima.
Assim passou a semana, nenhum sinal. Já estava conformada. Foi apenas uma ilusão, coisa que imaginei, me senti uma Cinderela e agora o conto de fadas terminou.
A sexta-feira amanheceu cinza, chuva fininha e um friozinho chato. Não havia aula naquele dia. Estava em casa e lendo aqueles romances Julia, Sabrina, Bianca, etc.
No meio da tarde o telefone tocou e meu irmão atendeu. Apenas escutei aquele jeito "educado" do Fernando em falar comigo:
- Bia!! Telefone! Anda guria, parece uma tança surda. Não escutou eu te chamar não?
Como fiquei irritada já respondi no mesmo tom:
- Não, não escutei não, seu retardado. E pára de me chamar de tança!
Atendi o telefone e quase cai de costas quando escutei aquela voz:
- Olá moça. Acordei você?
Gelei da cabeça aos pés. Fiquei vermelha e morrendo de vergonha, com certeza ele escutou eu e meu irmão trocarmos aquelas gentilezas todas. Mal consegui responder:
- Não, eu estava um pouco longe, por isso demorei um pouco. Tudo bem comigo e com você?
- Eu estive fora essa semana, estava em treinamento no RS e retornei hoje. E ai? Nosso cinema sai ou não sai?
- Vamos sim, podemos marcar.
- Ok, passo às 7 na sua casa. E pegamos à sessão das 8. Tranqüilo pra você?
Meu Deus, e agora? O que fazer? Nem saberia o que vestir. Era pouco tempo para me virar com algo decente, algo mais feminino. Mas não queria mais perder tempo, já tinha arranjado desculpas demais.
- Tá certo. Te espero. Mas como você vai chegar aqui? Eu não te dei o endereço!
- Nem precisa, já tenho ele em mãos, peguei na sua ficha de inscrição, lembra?
Combinado. Sete horas ele passaria para me pegar.

Capítulo 7

A preocupação era a roupa. O que vestir? Liguei correndo para minha amiga Fabi.
- Fabi, socorro! Preciso de uma roupa decente para sair. O deus grego ligou, vamos ao cinema, amiga. E agora? Eu não tenho nada dessas coisas de saia e salto alto. O que faço?
- Deixa comigo amiga, vou ver o que posso fazer e já te ligo. Quem manda pedir motor de avião, viu? Bem feito, devia era ter pedido um salto alto e umas roupinhas mais femininas né amiga. Mas não se preocupe, você sabe que pode contar comigo. Já te ligo de volta.
Depois de uns vinte minutos minha amiga e fada madrinha retorna a ligação.

- Você tem como passar aqui no DETER? A minha amiga Ângela tem o seu manequim e tem umas roupas lindas, super transadas, você pode escolher. Ela mora aqui ao lado e num instante você chega lá.
- Estou indo. Beijos.

E agora? Não tinha muito tempo. A solução era meu "querido" irmão. Tratei de fazer uma voz bem querida:
- Ô Fernandinho, você me leva ali na Avenida Rio Branco um instantinho? Eu preciso pegar umas roupas na casa de uma amiga.
- Ah!! Agora você vem pedir né? Mas eu não era retardado?
- Mas é urgente e rápido. Vai, me leva lá bem rapidinho?
- Vai sair com tal rei grego? (Usou deboche na fala).
- Não é "rei" grego, é deus grego, seu tanço!
- Agora, além de retardado sou tanço.


Nisso minha mãe entra na cozinha e interfere a meu favor:
- Ajuda sua irmã Fernando, você é o único que sabe dirigir aquele Opala de marcha no volante, ela precisa de ajuda. Colabora filho.
- Tá certo, eu levo, mas sem demorar, preciso sair hoje também.

Cheguei na casa da Ângela, que já estava me esperando. Ficamos conversando e provando roupas. Então depois de quase uma hora e meia decidimos o que iria levar.

Quando retornei para o carro, meu irmão já estava espumando:

- Ô guria, que demora, não adianta se "emperiquitar" toda, porque no seu caso, nem o Ivo Pitanguy dá jeito!

Nem dei bola para a provocação, estava radiante. A roupa não poderia ser mais adequada. Uma blusa verde que acompanhava um casaquinho de malha de manga comprida e um sapado de salto preto. A calça seria jeans e isso eu tinha. Combinou com meu estilo, simples, esportivo, mas bem feminino.

Tomei o banho e fui me arrumar, o tempo já estava se esgotando. Pela primeira vez fiz uma maquiagem no rosto. Usei apenas um lápis no olho e um batom suave. Mais do que isso iria me sentir uma perua.
Meu irmão olhava com olhos atravessados e debochava:
_ Hi..hi...hi.. vai pescar?

Nem dei bola para suas ironias.

Pontualmente, às sete horas, percebo um carro parando na frente de casa.
Abri a porta e fui até no portão. Meu coração estava disparado, batia de forma descompassada.

Capítulo 8

O carro estava estacionado em frente. Douglas saiu do carro e veio abrir a porta.
Nunca ninguém havia feito isso antes. Abriu a porta do carro com o sorriso mais lindo que se possa imaginar. Entrei e sentei. Que conforto, que perfume agradável, bem diferente do Opala, que cheirava a gasolina com óleo queimado.

Ele entrou no carro, olhou direto em meus olhos e veio suavemente em minha direção, dando um delicado beijo na face, quase encostando seus lábios no meu. Não consegui abrir a boca, estava em estado de choque total. Ele estava realmente lindo com aquela blusa pólo azul e calça jeans. Seu cabelo curtinho todo penteado e a pele do rosto suave. Ele percebeu meu nervosismo e com a voz mais doce do mundo falou:
- Você está linda e seu perfume ... humm... deixe-me adivinhar... Aqua Fresca do Boticário, acertei?

Acertou em cheio, mas isso era fácil, pois todas usavam esse perfume, estava na moda. Isso mostrava que já estava acostumado com o perfume. Novamente a voz de minha mãe ecoava em minha mente: "esses são os mais perigosos".

- É você acertou, mas o seu também é uma delícia. Mas nem vou tentar adivinhar, não conheço perfumes masculinos.
Sorrimos, ficamos ali, parados, apenas nos olhando, parece que o mundo parou de girar. Então, nossos lábios foram se aproximando e aquela boca macia e quente envolveu a minha. Que beijo doce, gostoso. Meu coração parecia uma bomba, qualquer hora iria explodir, de tantos pulos dentro do peito.
Devagar, nossos lábios se afastaram e sem dizer nada, ligou o carro e saímos. Já na esquina ele se virou e falou sobre o filme:
- Você tem alguma sugestão? Qual tipo de filme você prefere?
Então, um pouco mais calma e recuperada daquilo tudo, mal consegui responder:
-Nem sei os filmes que estão passando, mas adoro filme de aventura. Será que tem algum?
- Ótimo, também adoro filmes de ação. Tem um no cine São José, falaram que é muito bom. Vamos nesse, certo?
- Ok, é nesse mesmo.

Então, já mais tranqüila e me sentindo mais à vontade, fomos conversando. Era impressionante a delicadeza, a educação e a inteligência. Fiquei ouvindo-o contar como havia me visto a primeira vez:

- Estava lá conversando com a Sandra, da RBS, e de repente observei uma moça esticando os cabos dos aeromodelos, não acreditei que uma moça bonita pudesse se interessar por aquilo e fiquei ali, queria ver se você pilotava bem mesmo e olha, fiquei impressionado, quero você na minha equipe de vôo.
Caímos na risada, então, aproveitei e falei sobre os nossos aeromodelos e os eventos que nossa associação tinha para esse ano. E assim foi durante todo o caminho, ele realmente se mostrava interessado no meu papo, ouvia com atenção e fazia perguntas.

Chegamos em nosso destino, cinema. Estacionamos ao lado do teatro, próximo ao Cine São José.
Ele comprou os ingressos e entramos. Estava lotado, mas com a ajuda do famoso "lanterninha", conseguimos boas poltronas.
Ele comprou os ingressos e entramos. Estava lotado, mas com a ajuda do famoso "lanterninha", conseguimos boas poltronas.

Capítulo 9

Nem me recordo do filme, sei que tinha aviões, helicópteros, bombas e muita ação e sei que os seus olhos estavam sempre em minha direção.
Quando saímos do cinema, a chuva fininha estava de volta, paramos na cobertura.

- Espere aqui, vou buscar o carro e venho te buscar.
- Nem precisa, não sou como açúcar, não vou derreter não, vou correndo contigo até ali, é pertinho.

Então, bem no meu ouvido e de forma suave ele falou:
- Não é açúcar, mas é doce.

Bem, é impossível descrever aqui o que senti. Nunca em minha vida tinha sido tratada dessa forma, com tanta gentileza e carinho. Mas pensei: "Esse é mestre em cantadas".

Ele foi buscar o carro e ali fiquei, esperando. Então escuto umas vozes bem conhecidas:
- Olha só, é a Bia. Nossa, mas que "chique" essa mulher! Tá diferente, até salto alto.
Eram meus amigos da faculdade, tirando onda com minha cara, rindo e fazendo piadas.
- Vamos na Baturité, Bia? O pessoal todo vai se reunir por lá hoje. Vamos?
- Hoje não dá, mas outro dia a gente combina, ok.
Nesse instante, Douglas estaciona o carro em frente ao cinema, desce e abre a porta. Meus amigos ficaram ali, olhando a cena, em silêncio. Com certeza as piadas iam rolar durante toda semana.
Embarcamos e saímos. O Douglas fez um convite para tomar alguma coisa. Pensei em minha mãe, ela havia dito para ir direto pra casa após o cinema, mas achei que não teria maldade alguma beber um refrigerante. Aceitei o convite.

Fomos a um barzinho com música ao vivo. Muito aconchegante, com arquitetura medieval e luz de velas. Dartanham. Esse era o nome do barzinho. Nunca havia entrado naquele lugar. Fiquei encantada, a música era suave e de boa qualidade, nada de som alto. Sentamos em uma mesa mais afastada, longe do movimento e do barulho.

Com todo cuidado, puxou a cadeira para que eu tomasse assento.
Era tanta gentileza, que chegava a ficar sem graça, não era habituada a essas formalidades. O meu mundo era outro. Saíamos em turma, cada um puxava sua cadeira, disputava as melhores cadeiras nos bares, enfim, completamente diferente do que estava vivenciando no momento.
Ficamos lado a lado, juntinhos, onde podia sentir a sua respiração.
Pedimos um refrigerante e camarão. Imediatamente lembrei-me de Fernando e comentei sobre o almoço daquele domingo.
- Meu irmão levou a melhor naquele dia. Acabou almoçando com você... rsrs..
- É verdade moçinha, fiquei triste com sua ausência no Cassino. Havia pedido ao sargento para lhe entregar o convite, cheguei a pensar que o convite não havia sido entregue, mas assim ficou mais charmoso e minha curiosidade em relação a você aumentou.Nesse momento, segurou minha mão, olhou firme em meus olhos e novamente seus lábios quentes encontraram os meus e o beijo ficou mais intenso, o mundo era nosso. Meu coração pulava no peito e podia sentir que o dele também. Mas aquele instante durou apenas alguns segundos, pois percebemos que os copos estavam sendo colocados na mesa. Ficamos conversando e ele ouvia atentamente minhas histórias, demonstrando um real interesse por aquele meu mundo quase infantil. Alguns casais estavam dançando. A música era lenta e agradável. Douglas fez o convite, e claro, não resisti.
Nossa, como ele era alto! Dançamos algumas músicas e os beijos foram inevitáveis. A noite transcorria de uma maneira rápida e minha vontade era de parar o tempo. Olhamos o relógio, passava da meia-noite. Minha preocupação era com minha mãe, pois ela havia pedido para ir para casa após o cinema. Hora de ir embora.
Ao estacionar em frente de casa, percebi que a luz da sala estava acessa, com certeza minha mãe estava esperando.
Despedimos-nos com mais beijos e antes de descer do carro, Douglas falou:

- Quer ir amanhã comigo na base aérea? Vamos fazer cross. Você gosta?

Odiava moto, morria de medo, mas respondi prontamente:

- Que legal! Adoro moto. Aceito. Então, até amanhã.

Capítulo 10

Depois de mais alguns beijos, desci do carro e entrei.

Minha mãe estava na sala a minha espera:
- Minha filha, porque tão tarde? Onde vocês foram?
- Mãe, não se preocupe, fomos apenas em um barzinho tomar alguma coisa e dançar. Não aconteceu nada. Você confia em mim ou não?
- Claro filha, mas sabe como é, hoje em dia o mundo é tão cheio de maldades e fiquei preocupada. Mas, me conte tudo, como foi?

- Ah mãe! Nunca me senti assim antes, ele é formidável, um cavalheiro!


Ficamos conversando por mais de uma hora, então, o sono chegou e fomos nos recolher.
Deitei, mas não conseguia dormir, sorria sozinha no escuro do quarto, minha mente fervilhava com pensamentos e emoções, até o sono vencer.

O sábado amanheceu nublado, mas sem chuva e com temperatura agradável. Logo após o almoço, o telefone tocou. Era ele.
Passou em casa pontualmente no horário marcado e agora me sentia bem mais à vontade em meu próprio agasalho e tênis. Veio de carro e não de moto.

Seguindo o mesmo ritual, desceu do carro e abriu a porta.

- Pensei que iríamos de moto.

- Não, a moto eu deixo na Base, pois uso somente lá.

Percebi que em seu banco traseiro havia uma roupa de couro colorida e fiquei curiosa:
- Você usa essa roupa especial de cross?

- Uso, e você também vai usar. Quando chegar lá você verá porque.

Meu coração quase saiu pela boca. Meu Deus! Teria que enfrentar aquele passeio de moto. Tive vontade de desistir, mas jamais faria isso. Iria até o fim.


Chegamos na base e fomos na tal pista de cross, então pude entender o porquê da roupa de couro... rsrsrs... Aquela pista era puro barro, uma lama sem fim ...rsrsr...Outros motoqueiros já estavam por lá, todos oficiais da Base Aérea. Alguns acompanhados. Vesti a tal roupa, me senti uma astronauta dentro daquilo, mas confesso, a roupa dava mais segurança. Fomos para a lama.
Chegamos na base e fomos na tal pista de cross, então pude entender o porquê da roupa de couro... rsrsrs... Aquela pista era puro barro, uma lama sem fim ...rsrsr...

Outros motoqueiros já estavam por lá, todos oficiais da Base Aérea. Alguns acompanhados. Vesti a tal roupa, me senti uma astronauta dentro daquilo, mas confesso, a roupa dava mais segurança. Fomos para a lama.

Incrível, mas nunca me diverti tanto. A lama espirrava por todos os lados e tive uma verdadeira aula de equilíbrio, pois o carona deve saber jogar o corpo se não pode colocar tudo a perder e até provocar uma queda. A perícia do Douglas como piloto de moto era exata, tudo saiu perfeito.
Saímos da pista e fomos ao vestiário. Tomei banho e troquei a roupa. Todos se dirigiram ao Cassino e ficamos batendo papo, conversando por horas.
Já era noite quando retornei e minha mãe, como sempre, à minha espera. Contei tudo como foi e percebia nos olhos dela a admiração pelo meu novo "ficante". Pois não sabia definir se aquilo era "namoro ou amizade."... rsrsrs...
Não havíamos combinado nada para o domingo então aproveitei o dia para estudar e colocar as matérias da faculdade em dia.",